Orçamento de pneus costuma aparecer como uma linha única na planilha anual: um valor baseado no gasto do ano passado, corrigido por uma porcentagem. É simples, mas não responde às perguntas que importam: quantos pneus serão necessários, em que mês, para quais aplicações e a que custo por quilômetro?
O CPK (custo por quilômetro) aproxima a análise da realidade operacional. Em vez de escolher pelo menor preço unitário, a gestora compara quanto cada alternativa custa ao longo da vida útil observada. Como resume a frase que sempre repito: “Se você não mede, você não gerencia.”
Comece com uma conta auditável
Para cada pneu ou grupo comparável, some o custo de aquisição, serviços de recapagem e outros custos diretamente atribuíveis; depois divida pela quilometragem efetivamente rodada no período analisado. A fórmula simplificada é:
CPK = custo total do ciclo do pneu ÷ quilômetros rodados no ciclo
Não misture aplicações diferentes sem segmentar. Um pneu que roda em longa distância pavimentada não deve ser comparado, sem ajuste, com outro submetido a trechos urbanos, carga distinta ou piso severo. Registre também a causa de retirada: desgaste esperado, dano acidental, falha de manutenção ou descarte antes do previsto. Sem isso, o indicador pode esconder perdas que não são problema de preço.
Do CPK ao orçamento mensal
O CPK é um indicador retrospectivo; o orçamento precisa projetar a demanda futura. Monte a previsão em quatro passos:
- Separe a frota por aplicação: tipo de veículo, configuração, rota e perfil de operação. Conte posições de pneus e identifique o que já está instalado, em estoque ou próximo do fim de vida.
- Projete quilômetros: use o plano operacional por veículo ou grupo, não apenas a média geral. A quilometragem prevista é o motor da demanda.
- Converta quilômetros em ciclos: estime a necessidade de substituição com base na vida útil real da própria frota, incluindo a política de recapagem e o descarte prematuro.
- Aplique custos e calendário: considere preço de compra, recapagem, frete e prazo de fornecimento; distribua os gastos pelos meses em que as compras provavelmente ocorrerão.
Assim, o plano não fica limitado a um total anual. Ele mostra quando o caixa pode apertar e permite negociar compras ou programar recapagens antes de uma reposição urgente.
Trabalhe com três cenários, não com falsa precisão
Uma projeção responsável explicita suas premissas. No cenário-base, use quilometragem, vida útil, recapagens e preços recentes da operação. No conservador, teste menor vida útil, maior descarte e alta de preço. No cenário de melhoria, modele resultados que dependem de ações concretas, como inspeções, calibragem, rodízio e controle de carcaças. Não trate a hipótese otimista como economia garantida.
Exemplo apenas ilustrativo: se um grupo roda 100 mil km no período e o custo total registrado do ciclo é R$ 80 mil, o CPK observado é R$ 0,80/km. Se a previsão operacional do próximo período for 120 mil km, multiplicar esse CPK por 120 mil produz uma referência de R$ 96 mil. Isso não é uma cotação nem uma previsão exata de compras: variação de preço, estoque disponível, descarte, sazonalidade e diferenças entre rotas exigem ajuste e acompanhamento.
Escolha o nível certo de detalhe
Não é necessário começar rastreando cada variável de toda a frota. Uma transportadora menor pode iniciar por modelo de veículo, rota e tipo de pneu, atualizando os dados a cada movimentação relevante. Conforme a operação ganha volume, a identificação individual da carcaça permite seguir a vida útil entre posições e recapagens. Em qualquer escala, mantenha a mesma unidade de medida, período e regra de inclusão de custos; do contrário, comparar meses vira comparar contas diferentes.
Também diferencie orçamento de caixa e custo econômico. Uma compra grande pode ocorrer num mês, embora os pneus sejam consumidos durante vários meses. Para controlar liquidez, acompanhe o calendário de pagamentos e reposições; para avaliar eficiência, acompanhe o custo por quilômetro no ciclo. Os dois olhares se complementam, mas não devem ser confundidos num único indicador.
Feche o ciclo todo mês
Compare orçamento e realizado por aplicação, posição e causa de descarte. Acompanhe pelo menos: CPK, quilômetros, custo de pneus novos, custo de recapagem, taxa de aproveitamento de carcaças, estoque e retiradas prematuras. Quando houver desvio, investigue o motivo antes de simplesmente aumentar o orçamento. Às vezes o problema está no preço; em outras, em uma rota mais severa, na pressão inadequada ou na falta de registro.
A Prolog recomenda tratar o orçamento de pneus em linha própria e trabalhar com premissas e cenários. A publicação cita pneus como aproximadamente 10% a 20% dos custos operacionais em certos contextos, mas essa faixa não é regra universal: valide o peso na sua operação. O ponto prático é separar o item para enxergar plano, realizado e diferença, em vez de deixar o gasto diluído na manutenção.
Se os dados ainda estão em planilhas dispersas, comece pequeno: padronize identificação por pneu, hodômetro, movimentações, recapagens e motivo de retirada. Uma base consistente vale mais do que um painel bonito alimentado por suposições. Para organizar também indicadores e rotinas da frota, conheça o GAP 2.0.